Propriedade no Ribeirão das Pedras é modelo de agricultura orgânica em Ibirama

gerente da ADR visitou a propriedade e falou sobre os programas do Gosverno do estado - foto Helena Marquardt

Enquanto muitos agricultores têm optado por deixar o campo para viver na cidade, o empresário ibiramense João Ricardo Moretti, de 41 anos, decidiu fazer exatamente o contrário e garantiu mais qualidade de vida para toda a família. Ele abandonou a rotina corrida que tinha administrando duas lojas para se dedicar exclusivamente a agricultura orgânica. Aos poucos, a propriedade no Ribeirão das Pedras, vem se tornando modelo de agricultura orgânica para toda a região.

Moretti lembra que a vontade de deixar a cidade e ir viver na área rural surgiu em 2011 depois de visitar o sítio de um amigo que tinha apenas uma casa simples de madeira e um ribeirão. “Pegamos nosso filho que ainda era bebê e o cachorro e fomos lá passar o dia. Foi nesse dia que percebemos que era isso que queríamos pra gente.”

Desde o episódio ele e a esposa, a nutricionista Glauce Radloff Moretti, passaram a amadurecer a ideia e em 2013 finalmente compraram a propriedade rural no Ribeirão das Pedras onde vivem hoje. “Primeiro viemos só morar aqui e continuei trabalhando no comércio. Em 2015 é que fechei as lojas e iniciei esse momento de transição que ainda estamos vivendo.”

Ele conta que a partir dai se envolveu com a permacultura, um tipo de cultura composta por diversos métodos para planejar e manter sistemas como jardins, hortas e comunidades ambientalmente sustentáveis e financeiramente viáveis. “Comecei a fazer cursos fora na área de permacultura, agroflorestas e uma coisa foi ligando a outra. Vi que poderia produzir alimentos de um jeito não muito difícil, sem usar químicos e favorecer o meio ambiente.”

Utilizando o método de agrofloresta, um sistema que combina o plantio de diversas espécies num mesmo espaço, Moretti tem conseguido resultados bastante positivos. Atualmente ele produz no local uma grande variedade de alimentos como frutas, verduras, temperos e peixes, tanto para consumo próprio quanto para venda, que é feita através de um grupo de whatsapp e também diretamente aos consumidores. “Primeiro criei um grupo só com amigos e depois um foi falando para o outro. No início era só um experimento e eu disse que não podia garantir a frequência da venda e nem a variedade dos alimentos. Ia depender do que eu tivesse excedente, mas deu muito certo.”

Agora a intenção da família para o futuro é disseminar o modelo de produção e aproveitamento do espaço. “Ainda queremos trabalhar com turismo rural através de um novo roteiro e turismo pedagógico trazendo profissionais para falar de diversos assuntos como bioconstrução, saneamento, agricultura e consumo consciente, entre outros temas”, revela.

De acordo com a esposa dele, depois da mudança radical não só de casa, mas também de estilo de vida, ela mesma passou a enxergar a sua profissão de uma forma diferente. “Hoje sei mais do que nunca que o alimento sem agrotóxico é muito mais completo e fresco, rico em enzimas e tudo aquilo que faz bem para o corpo. Fiz inclusive uma especialização em saúde quântica pensando nessa questão da motivação para estimular a produção local, em produzir algo que realmente vai fazer a diferença na vida das pessoas.”

Incentivo do Governo do Estado

A gerente de Políticas Socioeconômicas Rurais e Urbanas da Agência de Desenvolvimento Regional (ADR) de Ibirama, Edna Beltrame Gesser visitou a propriedade nesta semana e também orientou Moretti sobre os programas do Governo do Estado voltados a agricultura como o SC Rural, Terra Boa e Fomento, que podem ajudar ainda mais no desenvolvimento da atividade.

“O sistema que ele utiliza lá é muito interessante e essa família é um belo exemplo porque está preocupada com uma alimentação saudável e com o que a população vai comer. Sabemos que hoje a alimentação é uma das coisas mais importantes para o ser humano.”

Além, disso ela destacou ainda que a família também tem muito cuidado com a propriedade e tem diversos projetos de desenvolvimento, sempre aliados com a preservação do meio ambiente. “Eles moram num local privilegiado com muita água e a natureza contribui. Ali já existe a criação de trutas e eles podem desenvolver muito bem o turismo rural com o é a intenção deles.”

Helena Marquardt

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