Projeto ajuda a preservar tradições indígenas no Alto Vale

Reuni縊 Saberes Indgenas

Um projeto coordenado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e desenvolvido no Alto Vale com o apoio da Secretaria de Estado da Educação através da Gerência de Educação da Agência de Desenvolvimento Regional (ADR) de Ibirama, tem ajudado a preservar as tradições dos povos que vivem na Terra Indígena Laklãnõ, no Alto Vale do Itajaí. Através de encontros regulares da Ação Saberes Indígenas, anciãos repassam aos mais jovens costumes que aos poucos vinham sendo esquecidos.

A última reunião aconteceu na sexta-feira e sábado, dias 25 e 26 na Escola Laklãnõ em José Boiteux e serviu para apresentar as ações desenvolvidas durante o ano e planejar o que será feito em 2017. Participaram do evento cerca de 70 pessoas, entre elas a coordenadora do projeto, Maria Dorothea Post Darella, servidores da ADR, professores, alunos e comunidade indígena.

O supervisor de Políticas e Planejamento Educacional da ADR de Ibirama, Leonir Lunelli, ressalta que através desses encontros os anciãos podem transmitir experiências valiosas que ajudam a preservar a identidade cultural do povo indígena. “Eles ensinam, por exemplo, a fazer arco e flecha para manter a tradição viva”, comenta.

José Patté correta

No encontro, um dos anciãos, João Patté, também falou a importância da oralidade em todo esse processo de preservação da cultura e costumes. “O jovem de hoje tem que saber o que mudou na história, os costumes e as lutas dos indígenas”, comentou.

Além de transmitir conhecimento, outra proposta da Ação Saberes Indígenas é estimular uma educação diferenciada daquela que é ensinada em escolas tradicionais e tornar as aulas mais dinâmicas, com a participação das famílias e conteúdos específicos voltados à realidade local.

Lunelli ressaltou ainda que atualmente a Educação Escolar Indígena, modelo utilizado nas escolas de aldeias da região é baseada em conhecimento repassado através da escrita. Já a Educação Indígena se baseia na oralidade e na maioria dos casos é repassada de pai para filho.

Ele afirma que na época do regime militar, os indígenas passaram pelo movimento do integracionismo, onde precisaram se adaptar aos costumes e cultura dos brancos. “Mas hoje depois de muitas lutas, eles têm o direito de receber através desses dois tipos de educação os seus próprios conhecimentos”, finalizou.

A coordenadora do projeto, Maria Dorothea Post Darella, revela que para 2017 o objetivo é a publicação de um livro com todo o conhecimento que foi sendo reunido durante os encontros, além da elaboração de cartilhas e um DVD que seriam utilizadas nas escolas participantes. “Reunimos sempre anciãos, professores, pais e diretores no sentido dessa caminhada conjunta e agora entregamos a proposta de um livro para que em equipe, os professores possam analisar nas escolas e possamos avançar nesse sentido no ano que vem”, conclui.

Helena Marquardt

Foto: Melânia Pavanello/ADRIbirama

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