A vergonha te aprisiona? Veja como se libertar

Brene Brown é pesquisadora da Universidade de Houston e autora do livro Daring Greatly: How the Courage to Be Vulnerable Transforms the Way We Live, Parent, and Lead (A Arte da Imperfeição). Em seu livro, ela escreve: “A vergonha é o sentimento intensamente doloroso decorrente de acreditarmos que somos defeituosos e, portanto, indignos de amor e pertencimento”.

A experiência desagradável da vergonha é universal. Quem não está familiarizado com o suor frio que sentimos quando fazemos algo embaraçoso? A vergonha, juntamente com o medo, é uma das primeiras emoções descritas na Bíblia. Todos conhecemos a história de Adão e Eva, que, com vergonha, cobriram seus corpos com folhas de figueira para que Deus não visse sua nudez.

Medo de não ser aceito

Uma fonte comum de vergonha é a falta de aceitação de nossa própria aparência física. Talvez não nos sintamos suficientemente magros, ou com uma forma física adequada. Às vezes é apenas a nossa imaginação, ou talvez não cuidemos o suficiente dos nossos corpos.

Mas a vergonha, nesses casos, é quase sempre mal colocada, e devido a ideais irrealistas. Se não superarmos essa vergonha, isso pode afetar de forma irracional nossa vida social e nossa autoestima. Precisamos aceitar nossos corpos como eles são, da forma com foram dados a nós por Deus, e fazer o que pudermos para cuidar deles de forma responsável. Sempre haverá alguém que é melhor que nós. (Nós também precisamos ter certeza de que nós, por sua vez, não estamos envergonhando os outros por características físicas que muitas vezes estão largamente fora do controle deles).

Mas nem toda vergonha está relacionada a algo tão óbvio quanto a nossa aparência externa. Muitas vezes temos vergonha de coisas que fizemos ou que experimentamos com outros, mas que são conhecidas por poucas pessoas, ou guardamos em nosso interior. Problemas familiares, violência, abuso, doença, vícios, maus hábitos ou pecados habituais: qualquer uma dessas coisas – que geralmente estão escondidas atrás de portas fechadas de nossas casas, nossos lábios e nossos corações – podem ser fontes de vergonha. São momentos ou aspectos de nossas vidas que tentamos manter isolados, escondidos do mundo. Eles causam tanto desconforto que preferimos nunca falar sobre eles com ninguém.

A vergonha, portanto, é uma emoção social, o que significa que sempre sentimos isso em relação a outras pessoas. Estamos envergonhados porque alguém pode nos julgar e não nos aceitar. Temos medo de que possam nos rejeitar, ou que possamos perder o respeito. Esse medo é o que nos faz esconder parte de quem somos de outras pessoas.

Brown explica: “Todos nós temos histórias pessoais de vergonha, geralmente trancadas e cuidadosamente guardadas. Às vezes, nós revelamos essas vergonhas com o nosso confessor, nosso psicoterapeuta ou nossos entes queridos. Geralmente, no entanto, vivemos sozinhos com esse peso, com uma esperança equivocada de que podemos lidar com a nossa vergonha”.

O melhor remédio: revelar

Infelizmente, quanto mais escondermos as coisas com as quais estamos envergonhados, mais as fortalecemos. Como Brown diz: “A vergonha se alimenta de segredos”. O que tem o poder de nos libertar da vergonha é a revelação: dizer a uma pessoa confiável a história de sua vida, despejar suas emoções difíceis e compartilhar seus segredos. Embora seja extremamente difícil e exige pisar fora da sua zona de conforto radicalmente, é a única coisa que pode nos curar e nos ajudar.

Em primeiro lugar, graças a um ponto de vista objetivo de um terceiro, podemos entender que não temos nada para se envergonhar. Muito possivelmente, o que nos causou ansiedade e nos faz sentir isolados é, na verdade, uma experiência quase universal; ninguém é perfeito, e a maioria de nós comete falhas e fraquezas semelhantes em um ponto ou outro. Também é possível que enxerguemos que não somos nós que deveríamos sentir vergonha, mas sim alguém que nos prejudicou; nesse caso, precisamos reconhecer com quem a verdadeira vergonha reside, aprender a recuperar nossa autoestima e perdoar – embora também possamos buscar justiça para o bem da sociedade. Abundantes casos surgiram recentemente de vítimas de abuso sexual que sentiram vergonha e medo de falar, mas ao fazê-lo, encontraram força, justiça e liberdade interna.

Em segundo lugar, mesmo que de fato tenhamos algo de que ter vergonha, descobriremos que existe a possibilidade de superar nosso passado buscando perdão e redenção. Em ambos os casos – culpado ou não – uma combinação de confissão sacramental e aconselhamento psicológico profissional pode ser uma grande ajuda para superar a vergonha e pode ser necessário para que possamos seguir em frente.

Há um lugar para a vergonha, se somos verdadeiramente culpados de uma ofensa digna desse sentimento, mas, mesmo assim, nunca devemos viver na vergonha, deixando ela nos aprisionar. A vergonha é natural, e nos mover para mudar nossas vidas para melhor. Precisamos aceitar a verdade sobre quem somos – provavelmente apenas pessoas comuns com fraquezas como todos os outros – e aprender a amar e perdoar a nós mesmos e a tomar medidas diárias para sermos pessoas melhores. Mas, nós realmente não podemos fazê-lo sozinhos; se abrir as pessoas em quem confiamos e procurar ajuda é o primeiro passo para uma vida mais livre e feliz.

Informação: Portal Aleteia.

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