Você sabe como reagir caso seu filho pequeno faça uma pergunta “cabeluda”?

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Que mãe nunca se viu em uma saia justa quando o filho começou a perguntar como são feitos os bebês ou por que o menino tem pipi e a menina não? Até algum tempo atrás, qualquer assunto relacionado a sexo era visto como tabu – e os pais fugiam da conversa.

Mas hoje tudo mudou e a recomendação dos especialistas é que os adultos respondam não apenas a essas, como também a outras questões com tranquilidade.

O sexólogo e terapeuta sexual Amaury Mendes Jr. explica que, quando surgir as perguntas “cabeludas”, o melhor é responder pouco, sem ir muito além da compreensão da criança.

“Os pais não devem demonstrar inibição, desconcerto ou graça e, sim, falar sobre o assunto como algo normal e simples. Lembre-se de que a criança só ouve o adulto em seus três primeiros minutos de explanação. Além disso, não leve para elas seu desconforto ou mesmo seus temores”, relata.

Antes que você possa se perguntar, não existe idade certa para falar sobre o assunto. Provavelmente, seu filho irá questionar sobre sexo porque ouviu outra criança falando ou os próprios adultos. “Cada criança tem seu tempo na escala de curiosidade, mas é comum o questionamento começar por volta dos 5 ou 6 anos”, revela a terapeuta infantil Denise Dias.

E se acontecer?

“Meu filho de 7 anos me perguntou o que era transar. Ele disse que os amigos da escola só falam disso. Eu fiquei em choque! O que dizer nessa hora? Então, perguntei: ‘O que você acha que é transar?’ Ele disse: ‘Acho que é beijar na boca, fazer carinho na namorada, essas coisas’”, conta Aline Alves Dias, mãe de Guilherme.

É claro que, quanto maior for a criança, mais vocabulário terá e mais explicações exigirá. Mas você não precisa se desesperar, pois os pequenos devem ouvir exatamente aquilo que perguntaram. Assim, quanto mais simples você for na resposta, melhor. Além disso, explique no mesmo linguajar usado pela turminha, como forma de não se distanciar do mundinho dela.

Amaury Mendes Jr. ainda observa que a compreensão de uma criança até 6 anos de idade tem pouco alcance no quesito sexo. “A visão que ela tem é de um casal se beijando e não uma leitura erótica das sensações pertinentes aos corpos. Ela vê apenas um amor, como o do pai e da mãe. Não existe ainda a necessidade de uma aula de anatomia e reprodução humana, portanto”, salienta.

Uma ótima ideia, após o papo, é presentear esses perguntadores com livros que explicam questões sexuais de maneira lúdica. “Quanto menor a criança, mais importantes os desenhos e a leitura feita pelos pais”, diz a psicóloga Flávia Maria Scigliano.

Quando a curiosidade passa do normal

É preciso, no entanto, saber diferençar a curiosidade real e natural daquilo que instiga precocemente a criança, como quando ela assiste ou vivencia algo sobre o assunto que desperta sua curiosidade. Isso porque as crianças tendem a imitar e absorver aquilo que percebem em seu meio como forma de integração.

Antes de explicar toda a verdade, é importante entender primeiramente o real significado desse papo fora de hora. Se é um pedido de atenção maior, pois os pequenos percebem assuntos que os pais evitam ou, ao contrário, falam demais, ou se trata-se apenas de curiosidade.

E o ideal é que, após as explicações, você procure mudar de assunto naturalmente. Entretanto, caso haja algum desvio mais acentuado ou quando a curiosidade se torna constante, é aconselhável procurar a ajuda de um profissional.

Quando o interesse acontece

  • Aos 2 anos, as crianças já sabem quem são as meninas e quem são os meninos. Mas, na sua maioria, ainda não têm curiosidades sexuais.
  • Aos 3 anos, começam a perceber seus próprios corpos e o dos outros. Também começam a se tocar, pois descobrem que seus corpos produzem sensações gostosas – mas isso não significa prazer sexual, como o dos adultos.
  • Aos 4 e 5 anos, inicia-se o interesse pelo nascimento dos bebês – que é desencadeado, normalmente, pela chegada de irmãos, primos e amiguinhos.
  • Dos 6 aos 8 anos, a criança, alfabetizada e com um computador à mão, poderá já ter buscado informações. Mas se veio até os pais, é porque se sente à vontade para perguntar. Aproveite a oportunidade e fique próxima do seu filho!

Respostas para perguntas “cabelulas”

Não sabe o que dizer diante de um questionamento que envolve sexo? Algumas saídas para tais situações, de acordo com os especialistas:

Posso dar beijo de língua?
Ainda não. Criança beija no rosto e na testa, enquanto que os adultos namoram e beijam de língua, porque isso é mais íntimo.

Por que o papai tem pipi?
Todo homem tem pipi.

É verdade que tem homem que beija homem?
É, sim. Da mesma forma que tem mulher que também beija mulher. Isso acontece porque tem homem que gosta de mulher, homem que gosta de homem, mulher que gosta de homem e mulher que gosta de mulher.

É gostoso coçar aqui?
Sim, mas todo o nosso corpo dá prazer. Até mesmo pentear o cabelo, escovar os dentes e fazer cócegas.

O que é ser virgem?
Virgem é quando a pessoa ainda não fez sexo. Ou seja, toda criança é virgem, pois sexo é coisa de adulto.

Como é que faz sexo?
Como você acha que é? (Geralmente, as crianças desconversam e voltam a brincar)

Por que a titia dorme com o namorado se ela não é casada com ele?
Ela não é casada, mas ela é adulta. Então tudo bem.

O que é camisinha? 
É uma proteção que os homens usam para não ter bebê.

UOL.

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