“Eu não quero que você converse mais com aquele cara”, “você quer apanhar de novo?”, “você é uma vagabunda”, “fica quieta no seu canto”, “tira esse batom de puta agora”, “eu já disse que não era para você usar aquele short de novo”, “eu posso te bater em casa, posso te bater aqui”, “pra mim você é um lixo de pessoa”. O que você faria se presenciasse um homem falando isso para uma mulher, do seu lado, dentro de um elevador? A TV Abud, um canal do youtube criado por dois jovens, fez o experimento social e gravou. A reação das pessoas é decepcionante.
Com uma câmera escondida em um elevador, dois atores simulavam uma briga de casal. A mulher, na maioria das vezes de cabeça baixa, foi agredida verbalmente por inúmeras vezes, em outras até levou empurrões ou puxões do seu companheiro. Das 41 pessoas que presenciaram as cenas, nas repetidas encenações, apenas duas perguntaram o que estavam acontecendo na tentativa de impedir a atitude violenta do namorado.
Vídeo sobre agressão a mulheres
Violência doméstica
No Brasil, de cinco mulheres, três já foram vítimas de violência em relacionamentos. O dado apontado pela pesquisa do Instituto Avon com o Data Popular reforça o levantamento de 2013 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) que aponta que 2,5 milhões de brasileiras com mais de 18 anos já foram agredidas dentro de casa por conhecidos. Entre os principais agressores estão o namorado ou o marido, o pai e os irmãos.
Romper com uma situação de violência doméstica é sempre um desafio. Além do envolvimento emocional, a mulher ainda precisa lidar com a dependência financeira, o medo, as chantagens e ameaças e com a falta de perspectivas. Não é por isso, porém, que a gravidade do problema deve ser ignorada.
Denúncia
A máxima “em briga de marido e mulher não se mete a colher” reforça as situações violentas e ignora uma situação que precisa de atenção. De acordo com autoridades, o melhor a ser fazer nesses casos é acolher a vítima, formar uma rede de apoio para situações emergenciais e dar meios para que ela possa efetivar a denúncia, que pode ser feita da Delegacia da Mulher (na ausência das unidadesespecializadas, o boletim de ocorrência deve ser feito em qualquer delegacia).
Familiares, vizinhos, amigos ou desconhecidos também podem denunciar a violência contra a mulher. Em situações extremas, a polícia deve ser acionada pelo 190. Já denúncias mais extensas e contundentes podem ser realizadas pelo 180, número da Central de Atendimento à Mulher, da Secretaria Nacional de Políticas para Mulheres (a vítima também pode e deve fazer a denúncia através deste número).
Bolsa de Mulher.