Atualmente, nós, mulheres, estamos nos livrando de uma série de padrões estéticos que, entre outras coisas, dizem que devemos ser magras. O processo é, de fato, libertador, principalmente para as muitas meninas e mulheres que não se encaixam na calça 38 ou na casa dos 50 e poucos quilos. Mas, por outro lado, há quem diga que estar acima do peso é o mesmo que estar de mal com a saúde. Pensando nisso, pesquisadores suecos fizeram um amplo estudo, analisando fatores como exercício, risco de morte e sobrepeso. Confira a seguir o que eles descobriram.
É possível ser obesa e ter uma vida saudável?
Um amplo estudo sueco, realizado pela Umea University, avaliou mais de um milhão de homens por quase 30 anos. Foram estudados critérios como nível de atividade física aeróbica, risco de morte precoce e Índice de Massa Corpórea (IMC).
Os resultados mostraram que quanto mais fisicamente ativos os participantes estavam, menores seus riscos de morte precoce tanto no grupo com peso normal, quanto no grupo com sobrepeso, chegando a uma redução de 48% nas chances de óbito por qualquer causa.
Os benefícios, no entanto, estavam reduzidos em indivíduos obesos. Mesmo os obesos mais fisicamente ativos tinham chances de morte precoce maiores que as pessoas com peso normal menos ativas.
Há riscos mesmo que meus exames estejam normais?
Outra pesquisa relevante, realizada na Universidade de Toronto, no Canadá, avaliou estudos anteriores, compilando uma base de mais de 60 mil pessoas e concluiu que não é possível ser obeso e saudável ao mesmo tempo. Entre outros resultados, os responsáveis pelo estudo encontraram que o risco de infarto é 24% maior para pessoas com obesidade ou sobrepeso mesmo que seus exames estejam absolutamente normais.
Doenças relacionadas ao sobrepeso e à obesidade
Além da maior chance de infarto, pessoas acima do peso normal têm, sabidamente, risco de desenvolver outras doenças como, hipertensão arterial, dislipidemias (colesterol alto, triglicérides elevado), apneia do sono, alterações ortopédicas (como a osteoartrose de quadril), diabetes tipo 2, infertilidade e alguns tipos de câncer, como os tumores de mama, rim e colo do útero.
Como saber se estou obesa?
Atualmente, a classificação da obesidade é feita a partir da tabela de Índice de Massa Corpórea, ou IMC. De acordo com essa fonte, você deve dividir seu peso em quilos pela sua altura ao quadrado (em metros) e o resultado indicará se você é obeso, tem sobrepeso, peso normal ou está abaixo dele.
Por exemplo, se você pesa 60Kg e mede 1,67m:
IMC = 60 ÷ 1,67²
IMC = 60 ÷ 2,78
IMC = 21,5
Se o resultado for maior que 30, há obesidade, como indicado abaixo:
- Abaixo de 18,5 = abaixo do peso ideal
- Entre 18,5 e 24,9 = peso ideal
- Entre 25,0 e 29,9 = sobrepeso
- Entre 30,0 e 34,9 = obesidade grau I
- Entre 35,0 e 39,9 = obesidade grau II
- Entre 40 e acima = obesidade grau III
Posso confiar mesmo no IMC?
No entanto, a classificação de obesidade segundo o IMC vêm sendo questionada por especialistas mundo afora. O argumento é que existiriam outros métodos mais acurados para determiná-la.
Uma pesquisa publicada pelo periódico Mayo Clinic Proceedings, dos Estados Unidos, mostrou, por exemplo, que a quantidade de gordura no corpo e a composição corporal são indicadores mais importantes para saúde que o IMC, que não leva em conta que músculos pesam praticamente o mesmo que gordura e que, ao invés de causar doenças, a massa magra protege a saúde cardiovascular e metabólica.
Dessa forma, uma mulher com IMC indicando sobrepeso poderia, na verdade, ter mais músculos e menor risco para doenças. Apesar disso, o método continua sendo usado, principalmente por ser de fácil aplicação e relativamente eficaz.
Sobrepeso X Obesidade
É preciso, ainda, considerar que, apesar de oferecer riscos mais amenos à saúde quando comparado com a obesidade, o sobrepeso também traz maiores chances de desenvolvimento de algumas doenças, como alguns tipos de câncer, por exemplo, e não deve ser ignorado.
Bolsa de Mulher.