Antonio Fagundes comenta sobre a concorrência da Globo com a Record: “É até bom”

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Em entrevista à colunista Cristina Padiglione, Antonio Fagundes falou de seu novo trabalho em “Velho Chico” e analisou questões que o país vive no momento.

O ator disse que o que caracteriza uma obra de Benedito Ruy Barbosa, que é o supervisor da trama, é o fato de que elas são construídas com personagens que“não têm inimigos”.

“Os personagens dele se dizem inimigos, mas a gente percebe que eles são adversários, porque, se sentarem pra conversar, aquilo vai passar. E nós estamos vivendo um momento no Brasil em que isso é muito importante. Nós não podemos ser inimigos daqueles que pensam diferente da gente. Nós não podemos sair pra rua com pedaço de pau pra bater em quem pensa diferente da gente, qualquer que seja o lado. Porque esse é o pensamento de qualquer mal que o mundo está atravessando agora: a falta de percepção do outro. Se por acaso eu não concordo com o outro, eu não vou matar o outro por causa disso, nem vou querer morrer por isso. É uma característica das novelas do Benedito”, avaliou.

“Eu penso diferente de você, mas e daí? É aquela frase do Voltaire: ‘Posso não concordar com nenhuma de suas palavra, mas defenderei, até a morte, o vosso direito de pronunciá-las.’ Talvez daí surja uma terceira via muito boa. Nesse momento, tá ficando perigoso, isso. O Brasil é um país tão carinhoso com o resto do mundo e não tem sentido a gente se odiar por nada”, afirmou.

Questionado sobre as tramas rurais, o famoso opinou que fazem falta, já que o Brasil é “um país de interiores”. “Se você pensar bem, a grande área do Brasil não tá no litoral, é um país de dimensões continentais em que o litoral representa muito pouco geograficamente. Demograficamente, talvez represente mais, mas é um país que tem muita coisa desconhecida para o próprio brasileiro. O Rio São Francisco, fala-se aí sobre a transposição, mas qual a importância dele pra o Brasil, praquela zona, o que tá acontecendo com aqueles seres humanos? Acho que precisa ter um olhar pra lá de vez em quando e não tem ninguém melhor pra fazer isso que o Benedito”, argumentou.

Com relação à concorrência, Fagundes mostrou-se favorável e reiterou que “é até bom pra TV Globo” ter“alguém com quem posso dialogar em termos de qualidade”.

“A TV Globo reage e isso é bom, e vai fazer a Record reagir também porque, caso a nossa novela consiga superar a deles, eles vão ter que rebolar do lado deles. E se for o contrário, a gente vai ter que rebolar aqui. Eu acho sempre muito positivo, muito bom”, concluiu.

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