Secretaria da Agricultura pede renegociação de dívidas dos produtores de cebola

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Produtores catarinenses de cebola enfrentam dificuldades na safra 2016/17. Com previsão de safra recorde, os produtores estão preocupados com a estagnação do mercado, uma combinação que faz o preço do produto cair no mercado interno e traz dificuldades para a cadeia produtiva. O secretário de Estado da Agricultura e da Pesca, Moacir Sopelsa, explica que o cenário é ainda mais preocupante devido aos financiamentos contraídos para custeio e investimentos na área cultivada. Foram mais de R$ 162 milhões em financiamentos para produção de cebola na safra atual que devem ser pagos entre este mês de fevereiro e maio.

Em Santa Catarina, os produtores dependem de financiamentos, em especial crédito de custeio e de investimentos, para a manutenção da área cultivada. De acordo com os dados do Banco Central do Brasil, na safra 2016/17, os produtores contrataram 3.964 operações de crédito, um montante que passa de R$ 162 milhões. Como grande parte desses financiamentos é feita por agricultores familiares e muitos deles não conseguirão honrar seus pagamentos entre fevereiro e maio, a intenção da Secretaria da Agricultura é interceder junto ao Governo Federal e aos órgãos financeiros para a prorrogação dos prazos de pagamentos

“Queremos unir forçar para solicitar ao Governo Federal e ao Banco do Brasil a renegociação do custeio e, principalmente, sem prejuízos para a obtenção de novos créditos na próxima safra”, ressalta Sopelsa. Hoje, o estado responde por 66,9% de todo crédito rural destinado para produção de cebolas no país e por 65,5% do total de recursos liberados para a cebolicultura brasileira.

As dificuldades dos produtores de cebola em Santa Catarina começaram já na safra 2015/16, quando a colheita não teve a qualidade esperada e a importação de cebolas chegou a 334,7 mil toneladas. Com a colheita prejudicada e o aumento nas importações, muitos agricultores tiveram que prorrogar os financiamentos.

Na safra 2016/17, as condições naturais favoráveis aliadas à tecnologia adotada resultam numa safra com volume recorde em Santa Catarina. O Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Cepa/Epagri) estima que a produção catarinense ultrapasse as 580 mil toneladas, gerando grande oferta do produto no mercado nacional no primeiro semestre do ano, o que acarreta uma queda nos preços.

O mais preocupante é a falta de mercados para comercializar a cebola catarinense. Segundo o secretário Moacir Sopelsa, o produtor hoje recebe em média R$ 0,50 por quilo de cebola, praticamente o custo de produção. “Temos uma super safra num período que o poder aquisitivo da população e o consumo caíram, os produtores não conseguem pagar os financiamentos contraídos e precisam de crédito para plantar a próxima safra”, ressalta.

 

Ana Ceron

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