Mortalidade infantil em Rio do Sul se mantém abaixo do preconizado pela OMS

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Pelo segundo ano consecutivo, Rio do Sul conseguiu manter o índice de mortalidade infantil abaixo do preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), fato que não ocorria há pelo menos 10 anos. Com cinco mortes entre os 863 nascimentos no ano de 2015, a cidade teve o coeficiente total de 5,7, ainda mais baixo do que o de 2014, quando dos 808 nascimentos, também cinco faleceram, gerando índice de 6,18. Nos dois primeiros meses de 2016, ainda não ocorreu nenhum óbito de crianças entre 0 e um ano de idade.

Para a OMS, qualquer índice acima de 10 pontos merece atenção por parte dos órgãos de saúde. Depois de uma constante de três anos além do limite preconizado, a cidade obteve dois índices mais baixos, o que mostra que a atenção social, a responsabilidade familiar, atendimento médico especializado mais próximo e mais frequente, a educação como um todo e o cuidado efetivo aliado a políticas públicas eficazes, o resultado pode ser melhor e constante.

Mas o fato de ainda ocorrerem mortes entre crianças com menos de um ano de idade ainda merece atenção, pois para uma família que se prepara para o nascimento, qualquer morte não deve ser considerada apenas uma estatística. Entretanto, em 2015, de todas as cinco mortes confirmadas, nenhuma delas foi considerada evitável, aquelas consideradas não preveníveis pela Vigilância Epidemiológica.

A enfermeira chefe do setor de pediatria da Secretaria de Saúde, Ana Gabriela de Souza Mendes atribui a queda do índice a um acompanhamento cada vez maior por parte dos profissionais de saúde. Hoje muitas unidades de saúde nos bairros de Rio do Sul possuem equipes especializadas e trabalhando dentro do programa de Puericultura, que é dar suporte de uma série de especialistas para bom cuidado com a mãe e a criança recém-nascida.

“Nós incentivamos muito a mãe a procurar o serviço de saúde no seu bairro. Onde não está disponível, temos a cobertura da Policlínica. Precisamos literalmente ‘pegar no pé’ das mães para que mês a mês tragam a criança para exames. E isso não deve ser feito apenas quando algum sintoma aparece. Criança saudável também precisa ser consultada”, garante.

Medidas podem evitar até 90% das mortes da mãe ou bebê

Além da mortalidade infantil, não se pode descartar o cuidado especial com a qualidade de saúde da gestante. Estatísticas mostram que em torno de 90% das mortes maternas e infantis podem ser evitadas com medidas efetivas por parte do setor público e participação da população. Morte materna caracteriza-se pelo falecimento da mulher durante a gestação ou até um ano após o término dela. Pode estar associada a doenças que as mulheres tinham antes de engravidar ou desenvolveram durante a gravidez.

Entre as principais causas estão pressão alta, complicações por aborto, problemas cardíacos e infecção pós-parto. Já a morte infantil caracteriza-se pelo óbito da criança até um ano de vida. Vale ressaltar que o maior número de mortes ocorre na primeira semana de vida, salienta a enfermeira Maquerli Stefani da Silva, coordenadora do Centro de Atendimento à Mulher (CAM). E entre as principais causas estão a prematuridade, baixo peso ao nascer, doenças da mãe na gestação, malformações e doenças respiratórias.

A especialista do CAM admite que a cidade, mais uma vez, apresenta esse índice de mortalidade baixo, graças ao Sistema Único de Saúde (SUS), que consegue garantir e estimular alguns pontos importantes, como o acesso ao pré-natal de qualidade, realização de exames solicitados durante a gestação. Ela ressalta ainda as campanhas de vacinação com privilégio às gestantes e recém-nascidos, a presença de acompanhante no pré-natal, parto e pós-parto e os vários cursos de gestantes oferecidos durante o ano. Em caso de aborto, também é oferecido um atendimento humanizado.

As consultas de pós-parto ocorrem até 30 dias após o nascimento do bebê e logo após já há um atendimento do bebê pela unidade de saúde através do programa de Puericultura. Há promoção e orientações sobre o aleitamento materno, alojamento conjunto para o bebê saudável e oferta de métodos contraceptivos adequados.

Mesmo com dados mais aceitáveis, é preciso evitar o conformismo. No Hospital Regional Alto Vale (HRAV), existe o Comitê de Mortalidade Materna e Infantil, que tem o objetivo de investigar e entrevistar familiares envolvidos, identificar causas associadas ao óbito, e propor melhorias da qualidade da assistência e redução cada vez maior desse índice.

O secretário de Saúde, Rodrigo Duarte, lembra que o poder público precisa estar sempre atento a estas situações e que o índice de mortalidade infantil é um dos mais importantes índices para medir a qualidade dos serviços básicos de saúde. Hoje, Rio do Sul é líder no ranking nacional em longevidade segundo o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), medido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Coeficiente de Mortalidade Infantil

Dados da Vigilância Epidemiológica de Rio do Sul

2004 – 15,6

2005 – 10,3

2006 – 15,9

2007 – 19,6

2008 – 10,4

2009 – 17,8

2010 – 2,7

2011 – 11,3

2012 – 14,6

2013 – 14,9

2014 – 5,8

2015 – 5,7

2016 (até fevereiro) – 0

Clóvis Eduardo Cuco

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