Maus tratos em gatos estão sendo registrados em Ibirama

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Uma série de episódios envolvendo maus-tratos de gatos em Ibirama tem preocupado moradores. É que só na semana passada, dois animais foram resgatados na rua Joinville, no Centro, depois de serem torturados. Um deles teve o pescoço parcialmente degolado e o outro todas as unhas arrancadas e morreu depois de ficar alguns dias internado.

Para a empresária Eliza Amanda Radloff da Silva, que já foi tesoureira de uma ONG que resgatava animais feridos na cidade, os números do abandono são alarmantes, e o problema vem se agravando a cada dia, já muitos animais de rua acabam procriando. “Há algum tempo isso não existia no Centro e agora a gente vê que é bem frequente”, comentou.

Não bastasse o abandono, muitos animais também são vítimas da crueldade humana, e quando não são mortos, acabam torturados. Ela conta que o primeiro gato atendido, que foi parcialmente degolado, acabou sendo resgatado por acaso. “Ele era um gato arisco que vivia no mato e apareceu numa casa quando já estava bastante machucado. E só por isso conseguiram pegar. Agora uma voluntária está tratando dele”, falou.

O outro caso atendido por ela é ainda mais preocupante já que o gato foi resgatado depois de ter todas as unhas arrancadas e parte da pata decepada. “Levamos ele na clínica. Lá foi constatado que arrancaram as unhas ou com um alicate, ou cortaram com um facão. Uma das patas até os dedos foram cortados fora. Imagina a dor desse animal. Ele gritava muito quando qualquer pessoa precisava tocar nele para fazer algum procedimento. Foi um sofrimento muito grande que fizeram esse bicho passar e ele não sobreviveu”, revelou.

ONG fechou por falta de apoio

De 2012 a 2015 a cidade contava com o trabalho de uma ONG, a Patas & Cia, que acabou encerrando as atividades por falta de apoio do poder público. “Estamos finalizando a parte burocrática, mas desde o ano passado a gente não atende mais. A gente não tinha uma renda mensal para pagar os tratamentos e também faltavam voluntários para ajudar nos resgates. A gente trazia pra nossa casa ou não tinha o que fazer com os bichos. As pessoas abandonavam e achavam que agente tinha obrigação de recolher”.

Outro problema encontrado é que mesmo presenciando os maus tratos, Eliza, diz que muitas pessoas não queriam se comprometer e optavam por não registrar o boletim de ocorrência. “E caso a pessoa aceite registrar é importante ter provas, testemunhas, fotos ou filmagens. Além disso as pessoas também podem cobrar que seja investigado na delegacia, porque todos os boletins que eu fiz até hoje nunca foram pra frente”, finalizou.

Sem muitas opções ou previsão de uma solução para o problema, poucas pessoas da comunidade tem feito o que podem. É o caso da teatróloga Silvana Mara Cristóvão da Silva, que já adotou dois gatos. Ela conta que na rua onde mora, o abandono já se tornou um problema de saúde pública. “As pessoas têm muitos gatos em casa e não castram, então esses animais acabam procriando e assim por diante. Toda noite escuto filhotes miando no mato e já resgatei um gatinho que estava sendo comido vivo pelas formigas. Outra questão é que esses animais tem vários tipos de doença, como: bernos e carrapatos, então algo precisa ser feito”, concluiu.

Helena Marquardt – Diário do Alto Vale.

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