Jaraguá do sul – Avaliações preliminares dos peixes apontam morte por asfixia

peixe morto

Pelas características observadas no efeito – que não foi seletivo –, atingindo várias espécies e com diferentes idades, a avaliação preliminar sobre a mortandade ocorrida no início deste mês é que um lançamento indevido de efluentes deve ter provocado uma redução acentuada na concentração de oxigênio na água, levando os peixes à morte por asfixia. A informação é do presidente da Fundação Jaraguaense de Meio Ambiente, Leocádio Neves e Silva, explicando que, “no jargão técnico, é denominado de ‘efeito agudo’, diferentemente do que seria notado por metais pesados, que têm um efeito crônico, mas que não levariam à morte um número tão grande de animais em um único evento”

Para Leocádio Silva, esse lançamento deve ter ocorrido no final da tarde ou início da noite da sexta-feira (3) e poucas horas depois, ainda durante a mesma noite, o próprio rio se encarregou de escoar a substância, não deixando qualquer rastro que pudesse indicar sua origem. Mas, segundo o presidente da Fujama, as investigações prosseguem com a análise de peixes recolhidos pelos fiscais no sábado (4). “As amostras serão analisadas em um laboratório especializado para verificar se há alguma substância concentrada nos tecidos – carne, fígado e outros órgãos internos – dos peixes”, informa, acrescentando que os resultados podem demorar cerca de 30 dias ou mais.

Monitoramento permanente

“O caso instalado demonstrou que há a necessidade de um monitoramento permanente dos rios e, para viabilizar esta ação, a Fujama, em parceria com a Defesa Civil e o Samae, está formando um Grupo Técnico que irá implantar mecanismos de controle rigoroso da qualidade da água, estabelecendo pontos estratégicos de monitoramento”, adianta Leocádio Silva.

Ele também informa que, paralelamente a esta medida, o controle dos licenciamentos das empresas instaladas nessa região – muitos deles sob responsabilidade da Fatma – passarão a ser acompanhados também pela Fujama. “Esta ação depende da anuência do órgão estadual, que detém a competência legal exclusiva para licenciar tais empresas”, esclarece, explicando que, neste caso, a Fundação Jaraguaense de Meio Ambiente proporá uma parceria que permita, através de cooperação técnica, promover a gestão compartilhada.

A denúncia
No final da noite de sexta (03), a Defesa Civil recebeu denúncia de peixes mortos no rio Jaraguá. Por volta das 7 horas de sábado (4), técnicos da Fujama estiveram no local e começaram a percorrer os rios da região, observando peixes mortos acima da confluência do rio Cerro com o rio Jaraguá, caracterizando que o problema advinha do rio Cerro. Foram coletadas amostras de água e também alguns peixes para a realização de análises laboratoriais, buscando identificar a causa desse efeito, mas os resultados preliminares alcançados até o momento não demonstraram qualquer alteração significativa. 

Fonte: Leocádio Neves e Silva – presidente da Fujama 

Foto: Piero Ragazzi

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