Divulgado boletim atualizado nesta quinta-feira, 14, sobre a situação da gripe em Santa Catarina

De 3 de janeiro ao dia 14 de abril foram notificados 391 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grava (SRAG) em Santa Catarina. Destes, 111 (28,3%) foram confirmados para influenza, sendo 108 (97,3%) pelo vírus influenza A e três (2,7%) pelo vírus influenza B. Dos casos confirmados para influenza A, 85 são do tipo H1N1 (76,5%) e 23 (20,7%) ainda aguardam a subtipagem laboratorial (para identificar se o vírus influenza A é do tipo H1N1 ou H3N2).

A campanha de vacinação contra a gripe em Santa Catarina começa dia 25 de abril. Na próxima terça-feira, 19, a Secretaria de Estado da Saúde concederá entrevista coletiva sobre a campanha a partir das 9h, no 8º andar do prédio da secretaria.

Dos 26 óbitos por SRAG notificados até o momento, 15 foram confirmados por influenza, sendo 14 pelo vírus influenza A e um pelo vírus influenza B. Dos óbitos confirmados por influenza A, 11 são do tipo H1N1pdm09 e três ainda aguardam a subtipagem laboratorial. Outros 10 óbitos por SRAG apresentaram resultado negativo para influenza A e B, sendo classificados como SRAG não especificada.

1) Síndrome Respiratória Aguda Grave são casos de síndrome gripal que evoluem com comprometimento da função respiratória, sem outra causa específica, que, na maioria dos casos levam à hospitalização. Os casos podem ser causados por vírus respiratórios, dentre os quais predominam os da influenza do tipo A e B, ou por bactérias fungos e outros agentes.

Casos e óbitos de SRAG por influenza, segundo classificação final. Santa Catarina, 2016

Classificação Final

Casos

Óbitos

n

%

n

%

SRAG por Influenza

111

28,3

15

57,6

Influenza A(H1N1)pdm09

85

76,5

11

73,3

Influenza A(H3N2)

0

0

0

0

Influenza A (subtipagem em andamento)

23

20,7

3

20

Influenza B

3

2,7

1

6,6

SRAG não especificada

125

31,9

10

38,4

SRAG por outros vírus respiratórios

6

1,5

1

3,8

SRAG por outros agentes etiológicos

2

0,5

0

0

Em investigação

147

37,5

0

0

Total Notificados

391

100

26

100

Fonte: SINAN INFLUENZA WEB ( atualizado em 14 de abril. Dados sujeitos a alterações )

As regiões de Blumenau, Grande Florianópolis, Itajaí e Joinville concentram o maior número de casos confirmados de SRAG pelo vírus influenza no Estado até o momento. O município de Blumenau, apresenta o maior número de casos confirmados (30 casos), seguido porJoinville (13 casos), Itajaí (seis casos), Araranguá, Criciúma e Lages (cinco casos cada).

Casos confirmados de SRAG por influenza segundo subtipo viral por município de residência. SC, 2016

GERSA/Município de Residência

Influenza A (H1N1)pdm09

Influenza A (H3N2)

Influenza A (subtipagem em andamento)

Influenza B

Total Influenza

ARARANGUÁ

4

0

3

0

7

Araranguá

2

0

3

0

5

Balneário Gaivota

1

0

0

0

1

Praia Grande

1

0

0

0

1

BLUMENAU

34

0

3

1

38

Blumenau

28

0

1

1

30

Brusque

3

0

1

0

4

Gaspar

1

0

0

0

1

Rio dos Cedros

2

0

1

0

3

CHAPECÓ

3

0

1

0

4

Caibi

1

0

0

0

1

Chapecó

2

0

1

0

3

ITAJAÍ

9

0

0

0

9

Balneário Camboriú

1

0

0

0

1

Itajaí

6

0

0

0

6

Itapema

2

0

0

0

2

JARAGUÁ DO SUL

1

0

0

1

2

Guaramirim

1

0

0

0

1

Jaraguá do Sul

0

0

0

1

1

JOINVILLE

6

0

8

1

15

São Francisco do Sul

0

0

1

1

2

Joinville

6

0

7

0

13

BRAÇO DO NORTE

1

0

0

0

1

Braço do Norte

1

0

0

0

1

GRANDE FLORIANÓPOLIS

6

0

0

0

6

Florianópolis

4

0

0

0

4

Canelinha

1

0

0

0

1

São José

1

0

0

0

1

CRICIÚMA

3

0

2

0

5

Criciúma

3

0

2

0

5

LAGUNA

2

0

2

0

4

Laguna

1

0

0

0

1

Imbituba

1

0

2

0

3

TUBARÃO

3

0

0

0

3

Capivari de Baixo

1

0

0

0

1

Tubarão

2

0

0

0

2

MAFRA

0

0

1

0

1

São Bento do Sul

0

0

1

0

1

LAGES

7

0

1

0

8

Lages

4

0

1

0

5

Capão Alto

1

0

0

0

1

Correia Pinto

1

0

0

0

1

São José do Cerrito

1

0

0

0

1

SÃO MIGUEL DO OESTE

2

0

1

0

3

São Miguel do Oeste

1

0

1

0

1

Paraiso

1

0

0

0

1

RIO DO SUL

1

0

0

0

1

Rio do Sul

1

0

0

0

1

OUTROS ESTADOS

3

0

1

0

4

TOTAL

85

0

23

3

111

Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (atualizado em 14/04/2016 dados sujeitos a alterações)

Em relação à idade, o maior número de casos de SRAG confirmados por influenza acometeu indivíduos da faixa etária de 40 a 49 anos com 21 casos (24,7%).

Casos confirmados de SRAG por influenza segundo faixa etária (em anos) e subtipo viral. SC, 2016

Faixa Etária          (em anos)

Influenza A(H1N1)pdm09

Influenza A(H3) Sazonal

Influenza B

Total

n

%

n

%

n

%

n

<2

5

5,8

0

0

0

0

5

5,6

2 a 4

4

4,7

0

0

0

0

4

4,5

5 a 9

0

0

0

0

0

0

0

0

10 a 19

5

5,8

0

0

2

66,6

7

7,9

20 a 29

3

3,5

0

0

0

0

3

3,4

30 a 39

17

20,0

0

0

0

0

17

19,3

40 a 49

21

24,7

0

0

0

0

21

23,8

50 a 59

16

18,8

0

0

1

33,3

17

19,3

>= 60

14

16,4

0

0

0

0

14

15,9

Total

85

100

0

0

3

100

88

100

Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (atualizado em 14/04/2016. Dados sujeito a alterações )

Do total de casos de SRAG confirmados por influenza, 88 (79,2%) deles tinham algum fator de risco associado, sendo 49 portadores de doença crônica, 12 obesos,14 idosos (maior que 60 anos), cinco para menores de dois anos e três gestantes.

Casos confirmados de SRAG por Influenza segundo fatores de risco. SC, 2016

Fatores de risco

Casos de SRAG por Influenza (n=111)

Vacinados

n

%

n

%

Com fatores de risco

88

79,2

0

0

Doentes crônicos

49

55,6

0

0

< 2 anos

5

5,6

0

0

Gestantes

3

3,4

0

0

Obesidade

12

13,6

0

0

Idosos > 60 anos

14

15,9

0

0

Fonte: SINAN INFLUENZA WEB ( atualizado em 14 de abril de 2016. Dados sujeito a alterações )

Os 96 casos de SRAG por influenza que foram curados fizeram uso do antiviral Oseltamivir (Tamiflu), em média, até três dias após o início dos sintomas de síndrome gripal (febre, tosse ou dor de garganta e pelo menos mais um dos sintomas: mialgia, cefaleia ou artralgia).

Do total de 15 óbitos de SRAG por influenza confirmados até o momento, quatro eram residentes no município de Blumenau (todos classificados como influenza A (H1N1)pdm09; quatro em Araranguá (um classificado comoinfluenza A (H1N1)pdm09 e três influenza A aguardando subtipagem; e um em cada um dos seguintes municípios: Brusque, Lages, Guaramirim, Florianópolis, Praia Grande e Rio dos Cedros (todos classificados como influenza A(H1N1)pdm09); e um em Jaraguá do Sul (classificado como influenza B) (tabela 5).

Óbitos confirmados de SRAG por influenza segundo subtipo viral por município de residência. SC , 2016

Município de Residência

Influenza A (H1N1)pdm09

Influenza A (H3N2)

Influenza A (subtipagem em andamento)

Influenza B

Total Influenza

Blumenau

4

0

0

0

4

Araranguá

1

0

3

0

4

Brusque

1

0

0

0

1

Lages

1

0

0

0

1

Guaramirim

1

0

0

0

1

Florianópolis

1

0

0

0

1

Praia Grande

1

0

0

0

1

Rio dos Cedros

1

0

0

0

1

Jaraguá do Sul

0

0

0

1

1

TOTAL

11

0

3

1

15

Nos 15 óbitos confirmados de SRAG pelo vírus influenza, 13 (86,6%) tinham algum fator de risco associado (doentes crônicos, obesos, idosos) e o Oseltamivir (tamiflu) foi iniciado, em média, cinco dias após o início dos sintomas de síndrome gripal (febre, tosse ou dor de garganta e pelo menos mais um dos sintomas: mialgia, cefaleia ou artralgia). A recomendação é a utilização do antiviral em até 48 horas após o início dos sintomas para um melhor prognóstico.

Óbitos confirmados de SRAG por Influenza, segundo fator de risco associado e vacinação. SC, 2016

Fatores de risco

Óbitos de SRAG por Influenza (n=15)

Vacinados

n

%

n

%

Sem fatores de risco

2

13,3

0

0

Com fatores de risco

13

86.6

0

0

Doentes crônicos

5

38,4

0

0

Idosos > 60 anos

4

30,7

0

0

Obesidade

4

30,7

0

0

Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (atualizado em 14 de abril)

Comparação de casos confirmados de SRAG pelo vírus influenza 2012- 2016

No ano de 2016, até a SE15 (14/4), observa-se uma mudança expressiva na sazonalidade da circulação do vírus influenza, quando comparado com o mesmo período dos anos anteriores no Estado. O monitoramento dos casos de SRAG confirmados por influenza por meio do SINAN indica que, no período de 2012 a 2015, o aumento na detecção de casos sempre iniciava na última semana do mês de abril. Já em 2016, observa-se um aumento no número de casos confirmados de SRAG por influenza a partir da última semana de fevereiro.

Os primeiros quatro meses do ano sempre foram meses de baixa circulação de vírus influenza em Santa Catarina, tendo sido confirmados, nesse período, oito casos em 2012, 21 casos em 2013, sete casos em 2014 e seis casos em 2015. De 3 janeiro a 14 de abril de 2016 foram confirmados 111 casos de SRAG por influenza.

Casos Confirmados de SRAG por influenza mês de início dos sintomas. SC, 2012-2016

Mês

2012

2013

2014

2015

2016*

Janeiro

2

2

2

2

1

Fevereiro

1

1

0

1

7

Marco

0

3

2

0

25

Abril

5

15

3

3

78

Maio

186

61

14

31

Junho

463

84

35

16

Julho

89

175

44

30

Agosto

4

108

37

9

Setembro

0

35

26

9

Outubro

0

11

4

12

Novembro

0

6

2

5

Dezembro

0

1

3

1

Total

750

502

172

119

111

Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (atualizado em 14/4/2016)

*2016: Dados até a SE 15 (14/4)

Em relação aos tipos de vírus influenza predominantes em Santa Catarina, em 2012 houve predomínio quase absoluto do vírus influenza A (H1N1), com 722 casos e 75 óbitos. Em 2013, o vírus influenza A (H1N1) também predominou (229 casos e 34 óbitos), no entanto os casos de influenza A (H3N2) também foram significativos (133 casos e seis óbitos). Em 2014 ocorreu um predomínio na circulação do vírus influenza A (H3N2) (146 casos e nove óbitos) e, em 2015, ocorreu uma baixa circulação de ambos os vírus (tabela 8).

Casos confirmados de SRAG por Influenza segundo classificação final. SC, 2012-2016

Classificação Final

2012

2013

2014

2015

2016*

Casos

Óbitos

Casos

Óbitos

Casos

Óbitos

Casos

Óbitos

Casos

Óbitos

SRAG por Influenza

750

75

499

42

174

13

119

20

111

15

Influenza A(H1N1)pdm09

722

75

229

34

21

4

54

16

85

11

Influenza A(H3N2)

5

0

133

6

146

9

47

2

0

0

Influenza A (subtipagem em andamento)

0

0

2

0

0

0

0

0

23

3

Influenza B

23

0

135

2

7

0

18

2

3

1

Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (atualizado em 14/4/2016)

*2016: Dados até a SE 15 (14/4)

O perfil de casos de SRAG, até o momento, indica uma intensa circulação do vírus influenza de forma atípica para o período do ano, com predominância do subtipo A (H1N1), acometendo principalmente adultos e pessoas com comorbidades (doentes crônicos e obesos). Esses grupos apresentam uma tendência maior a apresentarem complicações quando infectadas pelo vírus influenza, por isso a importância de procurarem um serviço de saúde mais próximo da residência aos primeiros sinais e sintomas de gripe, para o tratamento adequado.

O uso do antiviral (oseltamivir) está indicado para todos os casos de síndrome gripal com condições e fatores de risco para complicações e de síndrome respiratória aguda grave, independentemente da situação vacinal. Nos pacientes com síndrome gripal sem condições e fatores de risco para complicações, a indicação do antiviral deve ser baseada em julgamento clínico, se o tratamento puder ser iniciado nas primeiras 48 horas após o início da doença.

A terapêutica precoce reduz tanto os sintomas quanto a ocorrência de complicações da infecção pelos vírus da influenza, em pacientes com condições e fatores de risco para complicações bem como naqueles com síndrome respiratória aguda grave. O antiviral apresenta benefícios mesmo se administrado após 48 horas do início dos sintomas.

A gripe causada pelo vírus influenza é uma doença grave. É transmitida a partir das secreções respiratórias, podendo também sobreviver de minutos a horas num ambiente, sobretudo em superfícies tocadas frequentemente. A partir do contato com um doente ou superfície contaminada, o vírus pode penetrar pelas vias respiratórias, causando lesão, que pode ser grave e até fatal, se não tratada a tempo.

Os vírus do tipo Influenza circulam durante todo o ano, intensificando-se principalmente no período de inverno, quando as pessoas buscam se abrigar do frio em ambientes fechados, o que favorece a transmissão do vírus.

Neste ano, a campanha de vacinação contra gripe ocorrerá no período de 25 de abril a 20 de maio, e terá como grupos prioritários crianças de seis meses a menores de cinco anos, gestantes, puérperas (até 45 dias após o parto), idosos (acima de 60 anos), indígenas, trabalhadores de saúde e portadores de comorbidades (portadores de doenças respiratórias, cardíacas, renais, hepáticas e neurológicas crônicas, diabéticos, imumossuprimidos, obesos, transplantados e portadores de trissomias (síndrome de Down, etc).

Além da vacinação para os grupos prioritários, estratégia eficaz na redução da doença grave entre a população mais vulnerável, as principais formas de prevenção para a gripe são:

– Higiene respiratória/etiqueta da tosse, medida capaz de reduzir a circulação viral, pois previne a disseminação entre as pessoas;

– Tratamento precoce com medicamentos antivirais, que ajudam a evitar a evolução para formas graves.

Informações adicionais para a imprensa:
Letícia Wilson / Patrícia Pozzo

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