Cresce participação feminina no empreendedorismo catarinense

Sensíveis, corajosas e guerreiras, uma fórmula que vem transformando as mulheres em presidentes de multinacionais e empreendedoras de grande sucesso. Elas têm conseguido ampliar a inserção no mercado de trabalho nos últimos anos e, para muitas, o empreendedorismo vem sendo uma saída para o cenário de incertezas econômicas.

“Elas já estão tomando um espaço merecido, conciliando a correria do dia a dia com a vida pessoal e, felizmente, a desigualdade de gênero está diminuindo. As mulheres estão investindo mais em qualificação e observa-se que a oportunidade é a grande motivação para o empreendedorismo”, revela o secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável (SDS), Carlos Chiodini.

Segundo o estudo “Anuário das Mulheres Empreendedoras e Trabalhadoras nas Micro e Pequenas Empresas 2014-2015”, elaborado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o número de mulheres no mercado de trabalho cresceu 22,8% entre 2003 e 2013, atingindo 41,1 milhões, ou seja, 42,5% do total de trabalhadores formais no país. Destas, 7,3 milhões são donas de micro e pequenas empresas (MPEs) e 2,6 milhões são microempreendedoras individuais (MEIs).

Em Santa Catarina, mais de 270 mil mulheres estão à frente de MPEs e 92 mil são MEIs. “Aqui elas são maioria em projetos de desenvolvimento econômico do Governo estadual, entre eles, o Juro Zero”, salientou Chiodini. Das 47.047 operações de crédito disponibilizadas pelo programa até janeiro de 2016, 51% foram destinados a mulheres. O Juro Zero concede até R$ 3 mil em linha de crédito, valor que pode ser parcelado em até oito prestações. Caso as sete primeiras sejam pagas em dia, a última é quitada pelo Governo do Estado.

Uma destas MEIs participantes do Juro Zero foi a Kall Any de Almeida Mattos. Moradora de Florianópolis há 16 anos, a cearense trabalhava como executiva de contas de uma revista, quando decidiu montar a empresa Mel e Alecrim, de eventos corporativos. “Persistência, comprometimento e buscar sempre inovar nos produtos e serviços é o caminho para o crescimento. É necessário, ainda, ter paixão pelo que faz”, conta. A empresa cresceu e de MEI ela passou a ser MPE.

O empreendedorismo social também é nicho de mercado que conta com forte participação feminina. Outro projeto do Governo do Estado para o desenvolvimento econômico que apoia, em sua maioria, mulheres é o Economia Verde e Solidária. A ação atendeu 41 associações e cooperativas que utilizam resíduos como matéria-prima. Foram beneficiadas 1.338 pessoas, das quais 704 são mulheres.

A Associação Municipal de Mulheres Agricultoras de Zortéa, na região Serrana, foi uma das selecionadas para participar do Economia Verde e Solidária. O grupo com 62 mulheres agricultoras trabalha de maneira informal com produtos coloniais e orgânicos de doces, geleias e conservas. Outra entidade atendida é a Associação Artesanato Veredas Santa Helena, de Joaçaba. São 12 artesãs que resolveram mudar sua rotina de donas de casa e hoje trabalham transformando restos de lã de ovelha, que seriam descartados, em cobertores, tapetes, mantas, entre outros. “Hoje temos um trabalho lucrativo e nos sentimos realizadas em ver nosso projeto reconhecido conquistando clientes”, diz a artesã Neiva Zilio Albiero.

Para o secretário da SDS, a sensibilidade feminina conta como ponte forte para o relacionamento com clientes. “Esta visão é importante para detectar as necessidades do consumidor e perceber oportunidades”, explica Chiodini. “Queremos que essas e outras histórias de mulheres vitoriosas estimulem novas empreendedoras, mas que não percam nunca o espirito familiar. Unir foco no trabalho, o sonho de chegar a algum lugar e apoio da família podem ser os ingredientes para se ter sucesso e, principalmente, qualidade vida”, conclui.

Michelle Nunes / Fabio Lima

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