Catarinenses que disputarão mundial de profissões, em Abu Dhabi, estão confiantes

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A partir do dia 15 de outubro, cinco catarinenses estarão sozinhos diante de competidores de outros 30, 35 países, tendo que mostrar que são os melhores do mundo em suas profissões. Durante quatro dias, eles vão executar tarefas relacionadas às suas ocupações, na WorldSkills Competition, em Abu Dhabi, não apenas buscando o ouro individual, como também defendendo o campeonato mundial, conquistado pelo Brasil em 2015. Se o Brasil é o atual campeão, os brasileiros são os adversários a serem vencidos. Tudo isso compõe o cenário de pressão em que os jovens, de cerca de 20 anos, estarão inseridos. Por isso, para esses alunos do SENAI em Blumenau, Joinville, Jaraguá do Sul, Tubarão e Palhoça a preparação psicológica foi tão importante quanto a capacitação técnica para as provas. E todos eles, que embarcam nesta segunda para o Oriente Médio, estão confiantes e se sentindo bem preparados.

“Acho que o desafio principal é o controle emocional, porque o conhecimento a gente já tem, as técnicas mais que suficientes para desenvolver uma boa competição”, afirma Rodrigo Keller, de Joinville, que fará provas de fresagem CNC (Comandos Numéricos Computadorizados). “Estar bem focado bem concentrado é o auge da competição”, completa, destacando ter treinado até doze horas diárias.

Rafael de Borba, aluno do SENAI em Palhoça e que vai disputar em mecânica de aeronaves salienta estar confiante. “Estou numa estabilidade psicológica segura. A gente treinou essa questão da ansiedade, não só a técnica. Tenho certeza de que se eu chegar lá em Abu Dhabi, na frente da prova, com as minhas ferramentas, com as informações dadas e com conhecimento que obtive, vou conseguir fazer o meu melhor e com certeza vou ser um destaque na competição”.

Bruno Davila Gruner, de Jaraguá do Sul, e que disputa em Polimecânica, lembra que o grupo está há vários anos envolvidos nesta competição, passando pelas etapas escolar, estadual e nacional, além de, em alguns casos, ter realizado prova de desempate. Com toda essa trajetória, a gente evolui muito, não só tecnicamente, mas também psicologicamente, um fator que conta muito. E até em conversa com os técnicos, eles dizem que este é um ponto forte meu. Eu não sinto a pressão de uma competição”, destaca. “A Polimecânica (que envolve diversos segmentos da mecânica), é muito disputada já aqui no Brasil e a equipe de treinamento, que não é só que de Santa Catarina e envolve também São Paulo, é muito boa, tem muita experiência e com certeza vamos brigar pelo ouro”.

Ana Carolina Gomes Jacinto, de Blumenau e que disputa em Vitrinismo, também considera que consegue controlar a pressão psicológica da competição. “Consigo separar bastante quando estou em prova, estou em prova e sei o que tem que fazer. Então acho que o difícil será a questão técnica do que é necessário para o dia de competição. O que dificulta mais é se alinhar a parte técnica ao que se espera na competição”, afirma a jovem, que ficou em segundo lugar na etapa nacional, mas reverteu a posição na prova de desempate com a medalhista de ouro.

Eric Cristhiano Marcelino da Silva disputa a modalidade de Web Design, na qual o SENAI/SC já conquistou medalhas de ouro, prata e bronze no torneio internacional. E estuda na unidade de Tubarão, de onde saiu um desses medalhistas. Indagado se as conquistas anteriores contribuem ou representam mais pressão, ele afirmou que “a presença de pessoas próximas que já conquistaram medalhas é uma fonte de inspiração”. Para ele, ter alguém próximo, que alcançou tal conquista, “mostra que é possível sim conseguir a medalha”.

“Já faz quase três anos que estou neste processo e desde o começo da etapa estadual escolar o treinamento sempre foi bastante forte e se intensificou nos últimos meses, na preparação para a etapa internacional. A gente começou a treinar em Brasília em janeiro, em ciclos de três semanas e depois duas semanas em casa. É cansativo, acordava, ia para atividades físicas, para o centro de treinamento, treinava até tarde e voltava para o hotel cansado. Mas a gente sente o aprendizado muito grande, fizemos vários simulados, refizemos provas antigas, estudamos, aprendemos bastante. E vale a pena sim”, acrescenta.

Eric lembra que passou por várias etapas e estava bastante acostumado a fazer provas. “É claro que agora bate um friozinho na barriga, porque é a última etapa, internacional, que tem trinta e cinco competidores, de muitos países. Mas estou preparado, tudo controlado, cuidei da parte psicológica, para não me abalar para executar o que treinei”, afirma.

WorldSkills

O SENAI é a entidade brasileira associada à WorldSkills International, responsável por garantir que o processo seletivo no País siga as regras mundiais. É a instituição que treina, também, a maior parte da delegação brasileira que irá a Abu Dhabi.

As provas são realizadas durante quatro dias. Os participantes devem completar os desafios propostos dentro de padrões internacionais de qualidade, demonstrando habilidades técnicas individuais e coletivas em profissões da indústria e do setor de serviços, como automação industrial, eletrônica, eletricidade, cozinha e confeitaria. Cada uma das modalidades tem a participação de apenas um representante de cada País, seja uma pessoa ou uma equipe.

Também integram a delegação catarinense os docentes-treinadores Daniel de Aviz (Fresagem CNC),  Rodrigo Campos (Manutenção de Aeronaves), Alexander Strenner (Polimecânica), Bruno Ângelo Medeiros (Web Design) e Cristiani Maximiliano (Vitrinismo). Além deles, Cléder Bez Batti (em Marcenaria de Estruturas), Dinor Martins Júnior (Engenharia de Polímeros) e Vitória Prado dos Santos (Tecnologia da Moda) participam da delegação por terem treinado competidores de outros Estados.

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