“Amor à Vida” dá show de preconceito sem limites

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Walcyr Carrasco declarou guerra ao politicamente correto e está assustando muita gente. Tudo porque a sua novela, ‘Amor à Vida’, virou alvo polêmica e debates nas redes sociais. O motivo? Preconceito. A polêmica mais recente envolvendo a trama se deu após o autor decidir mudar o visual de Jayminho (Kaiky Gonzaga), menino adotado por Niko (Thiago Fragoso). “Tenho ouvido críticas pesadas ao cabelo dele. Quero um personagem bem aceito”, disse ele sobre o personagem negro e adepto do estilo black power. Irritado com as críticas no Twitter, Carrasco ameaçou tirar a criança da novela.

O fato é que desde o início ‘Amor à Vida’ foi acusada de racismo pela ausência de personagens negros em seu elenco. Para resolver a questão, na época, Carrasco tratou de sair em busca de uma personagem negra para a novela. A atriz Ana Carbatti foi escalada para viver a doutora Verônica no folhetim, papel que não existia na sinopse original. A emissora chegou a declarar em nota oficial que não divide elenco pela cor de pele e que a escalação das novelas se dá por compatibilidade artística com a personagem e a história. Entretanto, muita gente não ficou convencida.

Para tentar amenizar ainda mais a situação, o casal gay do folhetim, Eron (Marcello Antony) e Niko, adotou a criança negra. A chegada de Jayminho promete piorar o clima na casa da família. A discriminação começa por Amarilys (Danielle Winits), que implicará o tempo todo com o menino e não deixará que ele fique muito perto do bebê Fabrício, seu filho biológico. A personagem, aliás, já vomitou diversas vezes discursos controversos e deixou muitos telespectadores homofóbicos satisfeitos ao afirmar que dois homens não podem ser felizes juntos e que a heterossexualidade é um estilo de vida mais “confortável” para se viver.

Obesidade e chacota
Mas a polêmica com minorias discriminadas não para por aí. Outro exemplo emblemático é o desenvolvimento da personagem Perséfone (Fabiana Karla): ela participou de cenas fortes de discriminação por ser obesa, com o elenco reproduzindo piadas sobre gordos e sem levantar uma reflexão séria sobre a doença. A enfermeira não segue os padrões de beleza impostos pela sociedade, foi desprezada por vários homens e passou por situações constrangedoras por conta da aparência.

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A abordagem da obesidade na novela é considerada por muitos ativistas “exageradamente pesada” e acabou virando motivo de protestos. No site Change.org, que hospeda várias petições online, por exemplo, a internauta Kalli Fonseca organiza um abaixo-assinado pedindo para que Walcyr Carrasco “pare de relacionar virgindade com obesidade de forma ridícula”. “A cada dia as coisas pioram para a gorda da novela e isso reflete diretamente na vida real de milhares de gordinhas. […] Sabemos que a mídia influencia diretamente no senso comum. Este papel ajuda a propagar ainda mais a gordofobia que já é tão forte em nossa sociedade”, protesta Fonseca.

Médicos revoltados
Outros grupos sociais também se manifestaram sobre ‘Amor à Vida’. Um dos primeiros protestos contra a novela surgiu em junho, organizado pelos profissionais de enfermagem que também montaram um abaixo-assinado condenando o texto do folhetim. O Conselho Regional de Enfermagem do Rio se irritou com a representação de Ordália (Eliane Giardini). Segundo eles, além de caricata, ela também erra procedimentos médicos.

“Chega de desrespeito e humilhação no horário nobre. Sabemos que se trata de uma obra de ficção, mas o que as personagens usam e fazem ali formam opinião, viram moda, criam hábito. Fomos aos jornais, rádios e tevês explicar sobre os riscos da má interpretação no limiar entre o real e o fictício e esclarecer qual o papel da enfermagem na sociedade. Mas isso não foi suficiente para sensibilizar”, explicou o presidente do conselho, Pedro de Jesus, em carta aberta.

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Já a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) não ficou nada satisfeita com as cenas em que a personagem Paloma (Paolla Oliveira) foi torturada em uma clínica de reabilitação. A entidade repudiou a produção global e afirmou que ela estimula a ‘psicofobia’. “A condução do tratamento psiquiátrico dado à personagem não corresponde à realidade”, disse a ABP em nota, destacando ainda a importância do uso do método de eletrochoques, também condenado no enredo da trama.

Mais polêmica
Até as ex-chacretes entraram na briga, indignadas com a personagem Márcia (Elizabeth Savalla). As dançarinas dos programas do apresentador Chacrinha não gostaram de se verem representadas por uma mulher que afirma ter se prostituído no passado. De acordo com as ex-chacretes, essa afirmação só faz sujar a imagem das dançarinas de programas de auditório.

RD1.

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