EmCenaCatarina promove três noites de espetáculos em Rio do Sul

Recluso - Foto de Cristiano Prim 4

O circuito EmCenaCatarina Sesc promove apresentações gratuitas de espetáculos selecionados para o projeto: a peça teatral A luva e a pedra, do Teatro em Trâmite, o espetáculo de dança contemporâneaRecluso, de Elke Siedler e Diogo Vaz Franco, e a performance em dança O pior de mim, de Monica Siedler com o artista visual Bruno Bez. A etapa em Rio do Sul será na Fundação Cultural, dias 6, 7 e 8 de julho, sempre às 19h30min, com entrada gratuita.

O projeto tem formato de mostras, com três dias consecutivos de apresentações, seguidas por bate-papo com os artistas. A programação iniciou em abril, no Oeste de Santa Catarina. Até setembro, 25 cidades recebem o EmCenaCatarina, que realizará ao todo 75 apresentações. As programações detalhadas estão disponíveis no ww2.sesc-sc.com.br/projeto/162.

Há 17 anos na estrada, o EmCenaCatarina é o maior projeto de circulação de espetáculos de artes cênicas de Santa Catarina e fomenta a produção artística do estado. A cada ano, três grupos de teatro, circo ou dança são selecionados para compor o circuito, levando gratuitamente um recorte do melhor da produção local para todas as regiões catarinenses. Neste ano, a seleção ocorreu via a Plataforma IDCult/Sesc, que recebeu um grande número de propostas culturais.

 

Os espetáculos

O monólogo A luva e a pedra, do Teatro em Trâmite, faz uma reflexão sobre destino e liberdade e tem classificação etária de 12 anos. Com direção e atuação de André Francisco, a peça conta a história de Nelson Santos e fala da sua memória de uma época passada: o interior da França, onde viveu, seu ambiente, seus valores, anedotas sobre o que aconteceu com ele. Assim, conhece-se uma série de personagens que influenciaram sua vida, entre eles André, empresário do boxe que será fundamental para o futuro do Nelson e do resultado da sua história. Após a apresentação, tem o debate 14 anos em Trâmite – história e trajetória do grupo Teatro em Trâmite de Florianópolis, um bate-papo sobre a montagem da peça e a trajetória do grupo. A trupe se destaca pela relevante pesquisa teatral em Santa Catarina e pelas atividades no espaço cultural Casa Vermelha.

Recluso é um solo de dança contemporânea, de Elke Siedler com o bailarino Diogo Vaz Franco, criado a partir de experiências pessoais de dor psicofísica dos artistas do projeto em confluência com a obra De Profundis, do escritor britânico Oscar Wilde. A proposta é criar uma ambiência prisional habitada por fluxos contínuos de movimentos enquanto metáfora poética sobre as transformações transitórias da dor, tecidas ao longo de uma temporalidade dilatada no sombrio da existência humana. A apresentação tem classificação etária de 14 anos e será seguida por uma conversa comandada por Elke Siedler. O bate-papo será sobre os entendimentos contemporâneos de dramaturgia em dança em diálogo com os procedimentos artísticos que perpassaram a composição do espetáculo.

Na performance em dança O pior de mim, Monica Siedler propõe uma corporalidade de guerra e improvisos, interrogações sobre os limites das relações entre corpo e obra de arte, como elementos jogados em cena e cujo drama gira em torno do que, imagina-se, perpassa o pior de mim. Com imagens videográficas projetadas num telão, manipuladas ao vivo pelo artista visual Bruno Bez, cria-se a relação entre corpo e projeção que conversam entre si e o público. A performance tem classificação etária de 14 anos. E o debate Criação de si como obra de arte, no final da apresentação, tem como referência a performance para refletir e problematizar sobre procedimentos de criação artística no qual artistas partem de sua biografia pessoal para compor dramaturgias.

Tiago Amado

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